Tomei a decisão de visitar Myanmar, depois de muita ponderação sobre os argumentos a favor e contra, no auge da crise da minoria Rohingya.
O problema de repressão sobre a minoria Rohingya, no estado de Rakhine, não é novo e continua por resolver há várias décadas, embora só nos últimos meses de 2017 e 2018 tenha surgido com maior frequência nas notícias. Myanmar tem problemas com o tratamento dado às mais de 100 minorias étnicas desde ainda antes dos britânicos governarem o país, ou seja, antes de 1824.
Normalmente preparo as minhas viagens com bastante antecedência e quando, em 2017, começaram a surgir notícias sobre os problemas em Myanmar, já tinha o meu plano de viagem montado, voos marcados e algumas reservas feitas. No entanto, poderia facilmente cancelar, sem prejuízo, as reservas e alterar os voos. Sublinho este ponto para que não fiquem dúvidas que não foi qualquer razão económica que me motivou a manter a viagem para Myanmar.
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Boicotar Myanmar talvez fosse colocar mais pressão sobre o governo, sobre o regime militar — que continua de forma directa ou indirecta a dirigir o país, apesar da liderança de Aung San Suu Kyi, a actual presidente e Nobel da Paz.
Porém, um boicote geral, não o meu individualmente, iria afectar bastante mais os cidadãos comuns. Desde logo, iria afectá-los financeiramente, com a perda de importantes receitas do turismo para uma larga parte da população.
Ao mesmo tempo, um boicote aumenta o isolamento dos povos e eu vi, ouvi e senti como as gentes da antiga Birmânia desejam que o país receba turistas e se abra ao exterior.
Não apenas pelos motivos óbvios, como o aumento de divisas e melhoria da qualidade de vida – quem não os deseja? Mas também porque o contacto com turistas e outras culturas lhes permite desafiar a presença de um regime militar opressivo que vigora há demasiado tempo.
Seria melhor prolongar — com um boicote — o isolamento que tiveram durante anos? Seria melhor ter as fronteiras de Myanmar fechadas aos olhos estrangeiros como a Coreia do Norte?
Quando em Myanmar se fala sobre as pesadas sanções que o país enfrenta há largos anos, é de imediato referido o isolamento e a privação económica, que prejudicaram em larga medida o cidadão comum.
Em terceiro lugar, durante os anos de boicote ao turismo — apoiado por Aung San Suu Kyi — as poucas receitas do turismo que Myanmar recebia iam directamente para os bolsos daqueles que tinham laços estreitos com o regime militar.
A repressão aos Rohingya, em Myanmar, é diferente da repressão nos EUA?
Do meu ponto de vista, se cancelasse uma viagem a Myanmar devido aos problemas com os Rohingya, então que argumento teria para viajar para outros países. Por exemplo, devia eu cancelar ou boicotar viagens aos Estados Unidos porque Donald Trump é o presidente?
Acredite que tenho vontade de o fazer, por tudo o que de negativo o actual presidente dos EUA representa em relação às mulheres, às minorias, aos emigrantes latinos, aos cidadãos negros, apenas para mencionar apenas alguns pontos.
Se visitar a Venezuela, será que estou a apoiar a ditadura de Maduro? Se for passar um fim-de-semana a Barcelona estou a apoiar a independência? Ou se boicotar uma viagem a Madrid? E se viajar pela China? Sou apoiante do regime comunista?
São apenas alguns exemplos que podem suscitar debate, mas em qualquer dos casos, na minha opinião, nem o boicote, nem a visita a um destes países ou regiões significa que esteja a favor ou contra qualquer posição ou governo.
Nos casos de Maduro e Trump, obviamente, estou contra tudo o que representam, assim como condeno sem hesitação a repressão contra os Rohingya. Todavia, não deixarei de viajar para algum desses locais se sentir o ímpeto de visitar os EUA, a Venezuela, Espanha ou a China.
De Salazar ao Brasil, vale a pena boicotar?
É claro que não ninguém tem dúvidas sobre o que se passa em Myanmar com os Rohingya e a sua fuga forçada para o Bangladesh. A ONU no seu relatório fala de “repressão selvagem” e de “crimes contra a humanidade”. “A gravidade e a escala dessas alegações suscitam a reacção robusta da comunidade internacional”.
Este é um ponto essencial, na minha opinião, pois é a comunidade internacional — da qual todos fazemos parte — que deve mover-se contra situações desta natureza.
Será que um boicote teria resolvido o problema do Apartheid, por exemplo? Claro que não, na minha opinião. Foi a pressão da comunidade internacional e, principalmente, da resistência interna — com Mandela na linha da frente — que quebrou a opressão.
Será que boicotar viagens a Portugal durante a ditadura de Salazar e Marcelo Caetano tinha resolvido o problema e o 25 de Abril não tinha sido necessário? Ou que os 20 anos de ditadura militar tinham sido anulados por um boicote de turistas ao Brasil? Nestes exemplos, a resposta, na minha perspectiva, é simples: não. Em última análise, o ambiente que permite que o medo, a ignorância e o ódio prosperem só pode ser revertido pelos próprios povos.
Visitei Myanmar com todo o prazer, adorei a viagem, as histórias que trouxe para contar, como as aventuras no antiquado sistema de comboios ou as refeições partilhadas com birmaneses.
Claro que gostaria de falar a língua e poder discutir o problema com as pessoas que conheci ao longo da minha viagem, mas o facto de terem estado fechados ao mundo e de o seu nível de inglês ser muito limitado não permite diálogos muito elaborados.
Até a aprendizagem de uma nova língua, poderá assim ser vista como mais uma justificação contra qualquer boicote. No entanto, a decisão de visitar ou não Myanmar, depende de cada pessoa. Eu tomei a minha e não me arrependo — veja 13 imagens de Myanmar, um destino fenomenal.
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